
5 de agosto de 2026
Local: Sala 14, Prédio das Ciências Sociais (FFLCH)
Av. Luciano Gualberto, 315. Butantã, São Paulo (SP)
6 e 7 de agosto de 2026
Local: Auditório da Casa de Cultura Japonesa
Av. Prof. Lineu Prestes, 158. Butantã, São Paulo (SP)
Entrada livre, sujeito à lotação
O III Simpósio Internacional Métis – EntreTempos: criação e memória consiste em um evento científico internacional que reunirá pesquisadores de diferentes regiões do mundo, subáreas disciplinares e domínios etnográficos diversos, com o objetivo de articular as noções polissêmicas de criação e memória às múltiplas formas perceptíveis e inteligíveis do tempo, tal como vivido por seres situados em contextos históricos, sociais, cosmopolíticos e ecológicos específicos. Trata-se da terceira edição do Simpósio Internacional Métis, promovido no âmbito do Projeto Temático “Artes e semânticas da memória e da criação” (Processo Fapesp nº 2020/07886-8). Pretendemos, como é o traço distintivo do Métis, estabelecer contatos transversais e criadores entre contextos e áreas disciplinares convocadas a enriquecer o tema proposto.
A partir do neologismo EntreTempos, o evento propõe uma reflexão crítica sobre os modos contemporâneos de produção do tempo em contextos marcados por extrativismo capitalista, colapsos ecológicos, aceleração comunicacional, intensificação do trabalho e expropriação territorial. Nesse sentido, evitamos a oposição clássica entre concepções absolutistas e relativistas do tempo, propondo, em seu lugar, um enquadramento analítico capaz de apreender as modalidades de atualização temporal que atravessam práticas de criação e de memória.
O evento adota o formato de oficina científica intensiva, concebido para favorecer a elaboração coletiva de argumentos, o cruzamento de materiais etnográficos e a construção de interlocuções sustentadas ao longo dos três dias de atividades. Esse formato pressupõe a circulação prévia de textos entre os participantes diretamente envolvidos nas sessões, bem como a centralidade do debate orientado, em contraste com modelos baseados exclusivamente na exposição de pesquisas já concluídas. Trata-se, assim, de um formato alinhado ao caráter experimental e processual que marca o Projeto Métis como um todo e que almeja a produção de uma reflexão inovadora, que resultará em um volume inédito a ser publicado.
PROGRAMA DO EVENTO
Dia 1 – 5 DE AGOSTO
Local: Sala 14, Prédio das Ciências Sociais (FFLCH)
Abertura do simpósio
9h
Ana Cláudia Duarte Rocha Marques, Fernanda Arêas Peixoto, Jorge Luiz Mattar Villela, Stelio Marras, Uirá Felippe Garcia
Encontro Transversal 1: Estratigrafias Temporais e Tempos Não Estratigráficos
9:30 às 12:30
EntreTempos são abordados por meio da imagem da estratigrafia e de seus limites. As apresentações nesta sessão aludem às naturezas múltiplas do tempo que podem ser antagonistas, mas não mutuamente exclusivas (mítico e histórica; geológica e arqueológica; humana e outra-que-humana; política ou cosmopolítica). Ao articular o núcleo do Projeto Metis e do tema do simpósio, propomos engajar-nos com os efeitos, as variações e os regimes de materialização do tempo nas diferentes práticas da criação e da memória. Através dessa lente, materiais etnográficos diversos e trajetos antropológicos canônicos são reposicionados, sem reduzir a discussão a qualquer de seus subcampos. Os experimentos desta sessão lançam as primeiras camadas para o debate coletivo.
Os tempos-lugares dos “índios” em Coronel José Dias, Piauí
Camila Galan de Paula (UNIVASF)
Sobre amarrações e outros modos de criar vida
Olívia Maria Gomes da Cunha (MN-UFRJ)
Pelas Águas (e pelos tempos) do Rio de Leite: conhecimentos indígenas em plataformas digitais georreferenciadas
Geraldo Andrello (UFSCar)
When the word isn’t what it was… imaginations of time between ephemerality and nostalgia
Matthew Carey (Centre National de la Recherche Scientifique)
12:30 às 14:15 - Almoço
14:15 às 18h
Sessão ampliada de debate 1
Os palestrantes da manhã e pesquisadores convidados debatem e desenvolvem o tema do ET1 - Estratigrafias Temporais e Tempos Não Estratigráficos.
Facilitadores: Lucas Marques (USP) e Mateus Oka (UNICAMP)
Pesquisadores convidados: Ana Carneiro Cerqueira (UFSB), Anna Elena Migotto (USP), Isabel González Arango (Univ. Antioquía/CO), Jorge Villela (UFSCAR), Julia Goyatá (UFMA), Lúcia Mendes Miguez (USP), Rafael Moreira Serra da Silva (UNB), Uirá García (UNIFESP), Vitor Sampaio Soares (USP), Yara de Cássia Alves (UEMG)
Dia 2 – 6 DE AGOSTO
Local: Auditório da Casa de Cultura Japonesa
Encontro Transversal 2: Trabalhos da Espera
9h às 12h
O trabalho da espera concerne à subjetivação da vida sob regimes de permanente expectativa em que a existência é situada entre a extinção e a restauração. Os trabalhos desta sessão contrastam as suspeitas das teorias da conspiração com as práticas do cuidado, da cura e do artesanato desenvolvidas por grupos afetados por guerras paramilitares, empresas de mineração e agronegócio, como respostas ao desespero e à esperança. Partindo de uma pergunta inicial – o que é criado enquanto se espera? –, os participantes desta sessão estão convidados a explorar etnograficamente formas criadoras de resposta coletiva à confiscação dos modos de vida fragilizados pelos regimes de poder nos quais estão implicadas.
Diez y siete años de espera: crono-geografías de la deuda con los muertos y entierro colectivo en Bojayá Chocó.
Natalia Quiceno Toro (Universidad de Antioquia)
Os tempos de precisão no Médio Rio Jequitinhonha: Ensaio sobre a coleta e o tempo
Joana Cabral de Oliveira (UNICAMP)
Esperan(çan)do Quilombo
John Comerford (MN-UFRJ)
“Um enigma é puro jorro?”: Cenas de colapso na espera
Rafael Antunes Almeida (UNILAB)
12h às 14h - Almoço
14h às 18h
Sessão ampliada de debate 2
Os palestrantes da manhã e pesquisadores convidados debatem e desenvolvem o tema do ET2 - Trabalhos da Espera.
Facilitadores: Joaquim Almeida (USP) e Rafael César (USP)
Pesquisadores convidados: Ana Cláudia Rocha Duarte Marques (USP), Flora Botelho (University of Copenhagen, DK), Gabriel Guarino (USP), Gabriela Lages Gonçalves (USP), José Batista Franco Junior (USP), Juliana Caruso (USP), Milena de Oliveira Silva (USP), Miriam Rabello (UFBA), Olavo de Souza Pinto Filho (UFRJ), Tarsila Couber Souza (USP).
Dia 3 – 7 DE AGOSTO
Local: Auditório da Casa de Cultura Japonesa
Encontro Transversal 3: Anseios de Futuro
9h às 12h
A última sessão dirige-se ao futuro, às utopias e às distopias nas lutas heterotópicas em curso no século XXI a partir das articulações da memória com a criação. Os convidados desta sessão discutirão práticas de terraformação baseadas em seus campos de pesquisa e trajetórias intelectuais. Tempo, memória e criação serão mobilizados em abordagens díspares – tais como afrofuturismo, afropessimismo, futurismo indígena, máquinas digitais que estabelecem regimes conceituais, perceptivos e prospectivos – para questionar concepções hegemônicas e aparentemente vencedoras de futuro. O desafio consiste em inaugurar uma análise crítica de práticas que ocupam posições distintas, quando não abertamente conflitivas, no campo político contemporâneo.
Os tempos da justiça: memória, criação e aceleração no direito brasileiro
Sara Munhoz (UNICAMP)
Sobre a cidade imediata e outras cronotopias
Ion Fernández de las Heras (Universitat Oberta de Barcelona)
O céu de Atxu
Karen Shiratori (Universitat de Barcelona)
Paraguassu Futuro: (I)materialidade Negra
Osmundo Pinho (UFRB)
12h às 14h - Almoço
14h às 18h
Sessão ampliada de debate 3
Os palestrantes da manhã e pesquisadores convidados debatem e desenvolvem o tema do ET3 - Anseios de Futuro.
Facilitadores: Amanda Horta (UFLA) e Matheus Almeida (USP)
Pesquisadores convidados: Antônio Cunha Freire de Faria e Silva (USP), Clara Campetelli Amaral (USP), Fernanda Arêas Peixoto (USP), Leandro Melito Ferreira (USP), Maria Luiza Toral (USP), Naiane Marcon da Silva (UFSCAR), Noshua Amoras de Morais e Silva (SEEDF), Stelio Marras (USP), Sued Felix Ruiz (USP), Willian L. da Conceição (USP)
PALESTRANTES
Camila Galan de Paula: Professora de Antropologia na Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil. No doutorado, recebeu uma bolsa de pesquisa de campo da Wenner-Gren Foundation para estudar a interação entre a formação de memórias familiares, a identidade indígena e a história local. Sua contribuição no ET. 1 Estratigrafias Temporais e Tempos Não Estratigráficos explora os vestígios materiais presentes no corpo das pessoas e na paisagem, conectando o presente a um passado presumidamente fechado.
Geraldo Andrello: Professor Associado de Antropologia na Universidade Federal de São Carlos e pesquisador do CNPq. É um dos principais especialistas na etnologia do Noroeste Amazônico (povos tukano e arawak). Teve participação ativa no processo de reconhecimento da Cachoeira do Iauaretê como patrimônio cultural imaterial dos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri (Amazonas). É co-coordenador do Programa de Arqueologia Intercultural do Noroeste da Amazônia (PARINÃ), parceria acadêmica entre o Institute of Archaeology (University College London), UFSCar, Museu Goeldi, Museu da Amazônia e Instituto Socioambiental (ISA). Sua contribuição no ET. 1 Estratigrafias Temporais e Tempos Não Estratigráficos consiste em reflexões sobre as articulações das noções de tempo e espaço entre os povos de língua tukano. A exploração desse tema vem sendo conduzida por meio da construção compartilhada de um Story Map das histórias desses povos no âmbito do PARINÃ (com o software de georreferenciamento ArcGis Online).
Ion Fernández de las Heras: Pesquisador pós-doutoral na Universitat Oberta de Catalunya, Espanha. Seus interesses abrangem as implicações epistemológicas, materiais, ambientais e territoriais da implementação das redes telefônicas 5G e 6G, bem como o limiar ontológico entre: operabilidade e resíduos, tecnologia funcional e lixo eletrônico, e planejamento urbano e desastres. Ao contribuir para o ET. 3 Anseios de Futuros, sua análise das temporalidades e mediações em diferentes contextos de produção do espaço, com especial atenção às propostas de automatização da cidade “smart”, será crucial para as reflexões deste workshop sobre o futuro e a terraformação.
Joana Cabral de Oliveira: Professora Livre Docente da Universidade Estadual de Campinas, no Departamento de Antropologia. Especialista em etnologia indígena e antropologia da ciência, membra do CPEI (Unicamp) e colaboradora do CestA (USP). No ET. 2 Trabalhos da Espera, discutindo as práticas de manejo e os saberes tradicionais no Médio Vale do Jequitinhonha, Oliveira desenvolve as temporalidades vegetais e ritmos de cultivo como forças criativas, em que a espera se impõe como tempo necessário para maturação da vida frente a pressões externas.
John Comerford: Professor de Antropologia no Museu Nacional e Coordenador do Núcleo de Antropologia da Política/NuAP da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. Especializado em estudos rurais e lutas camponesas, sua pesquisa atual concentra-se na construção das lideranças camponesas e quilombolas como processos de subjetivação política e moral e nas atualizações da plantation nos mundos do agronegócio, com as múltiplas e dinâmicas modalidades de contraposição e de convivência aí presentes. Como sua contribuição para o ET. 2 Trabalhos da Espera, Comerford aborda a articulação de múltiplas espacialidades, temporalidades, esperas e esperanças na criação de formas de mobilização e recomposição quilombola no Alto Jequitinhonha.
Karen Shiratori: Professora e pesquisadora “Beatriu de Pinós” na Universidade de Barcelona, Espanha, e pesquisadora associada na Unidade Mista de Pesquisa “Patrimônios Locais, Meio Ambiente e Globalização”, França. Ela é especializada em povos indígenas, biodiversidade, conflitos ambientais e direitos territoriais, com particular interesse nas relações entre comunidades indígenas e plantas. Sua contribuição para o ET. 3 Anseios de Futuros traz uma perspectiva etnográfica e teórica sobre como os futuros são evocados por meio de sonhos, imaginação vegetal e práticas xamânicas.
Matthew Carey: Professor e Pesquisador no Centre National de la Recherche Scientifique, em Paris. Sua pesquisa se concentra no Alto Atlas marroquino, examinando a eficácia social da mentira e da desconfiança e seus efeitos sobre como as pessoas se relacionam de forma diferente com o passado, o presente e o futuro. Sua contribuição no ET. 1 Estratigrafias Temporais e Tempos Não Estratigráficos aborda como os regimes de confiança e desconfiança estruturam a experiência temporal e produzem distintas camadas de tempo vivido, oferecendo uma estrutura comparativa crítica para os debates do workshop sobre temporalidade e vida social no Sul Global. Sua contribuição na sessão 1 abordará as transformações na cultura, nas práticas e na existência local, expressas pela formulação local de que “a palavra não é o que era” (ibddl wawal). A partir dessa constatação, ele discutirá as mudanças na percepção das pessoas sobre a ação implacável do tempo, mostrando como uma postura de resignação diante de sua força erosiva vem cedendo espaço a um cultivo nostálgico e retrospectivo do passado, agora compreendido como um espaço de diferença e um lugar de anseio.
Natalia Quiceno Toro: Professora no Instituto de Estudos Regionais da Universidade de Antioquia, Colômbia. Sua pesquisa concentra-se em experiências relacionadas à migração forçada, memória e ao conflito armado na Colômbia. Trabalhando com comunidades negras na região do Médio Atrato, ela examina práticas de reparação, resistência e reconstrução de vidas em territórios afetados pela guerra. Em sua participação no ET. 2 Trabalhos da Espera, Quiceno conectar a articulação política, as práticas curativas e o cuidado na luta das mulheres afro-colombianas à restituição de corpos assassinados na Colômbia pós-conflito.
Olívia Maria Gomes da Cunha: Professora de Antropologia no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. Atualmente, realiza pesquisas entre o povo maroon Cottica Ndyuka, no Suriname, e coordena, no âmbito do Laboratório de Antropologia e História, e apoio do CNPq e da FAPERJ, o projeto “Refúgios e Fugas em mundos multiespécie”. Sua contribuição no ET. 1 Estratigrafias Temporais e Tempos Não Estratigráficos visa explorar os sentidos dos movimentos que criam e recriam rotas de fuga, paisagens sagradas e povoadas, em diferentes tempos e espaços existenciais afetados pela exploração madeireira, pela mineração e pela violência do plantationceno.
Osmundo Pinho: Professor titular da Universidade Federal do Recôncavo Baiano e da Universidade Federal da Bahia, Brasil. Pinho é especialista em estudos críticos de raça, diáspora africana e estudos sobre plantações. Sua contribuição para o ET. 3 Anseios de Futuros aborda as narrativas visuais, literárias e etnográficas referentes à região do Recôncavo Baiano, a fim de explorar como o afropessimismo e o afrofuturismo podem iluminar as intrincadas relações entre memória, criação e tempo em paisagens afetadas pelas consequências da escravidão.
Rafael Antunes Almeida: Professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira e do Programa Associado de Pós-Graduação UFC/UNILAB. Sua pesquisa investiga teorias da conspiração, pós-verdade, terraplanistas e ufólogos no âmbito dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia. No ET. 2 Trabalhos da Espera, Almeida aborda a questão das suspeitas que surgem no contexto de um presente fragmentado e seus efeitos sobre futuros incertos.
Sara Munhoz: Pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), com períodos como pesquisadora visitante na University College London (UCL) e na Queen Mary University of London (QMUL). Sua pesquisa situa-se nas interseções entre burocracia, direito e tecnologias digitais, com foco no uso de ferramentas de inteligência artificial no sistema de justiça e em como conceitos como acesso, transparência e uniformidade são produzidos, disputados e operacionalizados nesses contextos. No ET. 3 Anseios de Futuros, Munhoz contribui para a discussão sobre comunicações via satélite e sua crescente influência na forma como concebemos o tempo, a política e as infraestruturas contemporâneas.
COMISSÃO ORGANIZADORA
Ana Claudia Rocha Marques (USP)
Jorge Luiz Mattar Villela (UFSCAR)
Fernanda Arêas Peixoto (USP)
Amanda Horta (pós-doc UFSCar)
Juliana Pereira Lima Caruso (pós-doc USP)
Rafael do Nascimento César (pós-doc USP)
Lucas de Mendonça Marques (pós-doc USP)
Mateus Oka (doutorando Unicamp)
Matheus de Araújo Almeida (doutorando USP)
Lorena Avellar de Muniagurria (TT USP)
COMISSÃO CIENTÍFICA
Fernanda Arêas Peixoto (USP)
Ana Claudia Rocha Marques (USP)
Jorge Luiz Mattar Villela (UFSCar)
Uirá Garcia (UNIFESP)
Maya Mayblin (University of Edinburgh, Reino Unido)
Ashley Lebner (Wilfrid Laurier University, Canadá)
Natacha Leal (UnB)
Tone Walford (University College London, Reino Unido)
Amanda Horta (pós-doc UFSCar)
Juliana Pereira Lima Caruso (pós-doc USP)
Rafael do Nascimento César (pós-doc USP)
Lucas de Mendonça Marques (pós-doc USP)
Mateus Oka (doutorando Unicamp)
Matheus de Araújo Almeida (doutorando USP)
Lorena Avellar de Muniagurria (TT USP)