Resumo: O que pode acontecer ao texto antropológico quando este circula entre pessoas cujo pensamento foi seu objeto de reflexão? Que recomposições dos sujeitos e da escrita etnográfica essa circulação impõe? Exploro essas indagações colocando diferentes campos de debate em diálogo: o dos cânones da antropologia; o das reflexões publicadas por romancistas contemporâneas; o das interpelações de duas estudantes cotistas do Bacharelado de Antropologia da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), no campus de Porto Seguro; e o das relações de pesquisa e extensão estabelecidas por minha própria prática antropológica com lideranças marisqueiras do município de Belmonte, cujos filhos e filhas estão entre o público-alvo da UFSB. A reflexão se dá de forma situada, isto é, desde a perspectiva de uma professora branca e sudestina, que leciona no Nordeste do país, envolvida pelos efeitos salutares e ainda incipientes das políticas de ação afirmativa e interiorização da universidade brasileira. O objetivo é refletir sobre a atividade da escrita etnográfica no que tange à constituição dos sujeitos e lugares de enunciação da antropologia, buscando tensionar, dinamizar ou mesmo borrar a divisão “nós/eles” implicada em narrativas etnográficas canônicas.
Link de acesso: www.scielo.br/j/rbcsoc/a/jD8qX4XT4RYbMh8ZfFwS4QB/?format=pdf&lang=pt
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