Resumo: Animado por uma literatura antropológica interessada em repensar os limites da relacionalidade por meio dos fluxos e intercâmbios entre pessoas e substâncias, este artigo propõe discutir os temas da amizade e da criação na música popular brasileira, em especial a bossa nova, a partir da relação de compositores, intérpretes e intelectuais com o uísque. Para isso, analiso fotografias e toda uma sorte de escritos (memórias, crônicas, perfis, entrevistas, obituários e biografias) em que a bebida aparece vinculada ao cotidiano dessas pessoas. Sob o argumento de que o uísque foi constitutivo não apenas dos sentidos de amizade e masculinidade partilhados por compositores, intérpretes e críticos, mas da criação musical em sentido ampliado, pretendo problematizar certa visão antropocêntrica nos estudos sobre música popular, em que a subjetividade do gênio criador tende a se sobrepor analiticamente aos agenciamentos de entidades não humanas.
Palavras-chave: Substância; Amizade; Música Popular Brasileira; Masculinidade; Vinicius de Moraes.
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