Composição autoetnográfica de uma professora branca diante das interpelações de universitárias não-brancas
Ana Carneiro

Esta Nota Metodológica apresenta o percurso de elaboração do artigo “Lugares e sujeitos da escrita [...]”, discutindo a escrita antropológica como ato de produção de sujeitos, relações e formas de conhecimento. O artigo não resulta de uma pesquisa previamente planejada, mas de uma elaboração desencadeada pelas interpelações de duas estudantes do Bacharelado em Antropologia da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), que questionaram os lugares de enunciação pressupostos pela escrita etnográfica e o risco da “armadilha do eles”, isto é, a reprodução de uma divisão entre um “nós” produtor de conhecimento e um “eles” constituído como objeto de observação. A Nota explicita como essas provocações conduziram à construção de uma abordagem autoetnográfica singular, baseada na composição de materiais heterogêneos — registros de sala de aula, bibliografia antropológica, reflexões literárias e experiências de pesquisa e extensão junto a lideranças marisqueiras de Belmonte — tratados simultaneamente como dados e ferramentas analíticas. Ao reconstruir esse percurso, o texto evidencia como a produção da escrita etnográfica envolve a revisão das fronteiras entre teoria e empiria, campo e gabinete, sujeito e objeto, bem como uma reflexão sobre os processos de subjetivação implicados no ato de escrever e nas relações que sustentam a produção do conhecimento antropológico.

Edição, volume, número
v.40
Ano
2026
Periódico
Revista Brasileira de Ciências Sociais
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