Evento Internacional
Métis na XV RAM
Reunião de Antropologia do Mercosul
04 Agosto - 08 Abril 2025 - 07:00
Salvador, UFBA

Pesquisadoras/es do Métis participarão da XV Reunião de Antropologia do Mercosul. O evento ocorrerá de modo presencial entre os dias 04 a 08 de agosto (UFBA - Salvador/BA). 

Teremos propostas de Grupos de Trabalho (GTs) durante a programação. As inscrições podem ser feitas até o dia 07/04. 

Confira nossas propostas:  

GT 015: Antropologia dos Aprendizagens: pessoa, coisas, ambientes

Coord.: Mylene Mizrahi (PUC/Rio), Gabriel Guarino (Métis/USP), Lucas Maroto Moureira (UFBA)

Ementa: 'Apprenticeship' e 'learning' são termos que referem à aprendizagem. O primeiro, enfatiza a relação mestre-aprendiz no âmbito da aquisição de um ofício. O segundo, diz respeito aos conhecimentos adquiridos em contextos escolares. Sem nos atermos a tal dualidade, visamos contribuir para uma abordagem antropológica das aprendizagens tendo por foco o lugar que a prática ocupa nas estéticas e nas poéticas do aprender. Considerando que somos sujeitos autopoiéticos – nossa autonomia deriva de processos autocriativos que se realizam na relação com as coisas e os seres no mundo (Toren 1999) – trazemos para o centro de nossos interesses o engajamento do corpo, a ordem do sensível e a consideração da vida material. Menos do que um conceito alargado de educação ou uma aprendizagem promovida pela cultura ou em processos de socialização, nos motiva destacar a intencionalidade que rege a transmissão e aquisição de conhecimentos em processos que somente em aparência são espontâneos. Acolheremos investigações que tomem a aprendizagem como problema de pesquisa, assim como propostas que revisitam as próprias pesquisas, voltadas agora para pensar a aprendizagem das práticas e a própria aprendizagem da etnografia. Temas de interesse incluem práticas artísticas e desportivas, aquisição de ofícios, artefatualidade, técnica, trabalho, manualidade, artesania, considerando as coisas – plantas, sons, cabelos, vestuário, rios, mares, espaço arquitetônico – e o ambiente: natural, rural, urbano, escolar.

GT 019: Antropologia das/nas caatingas: ecologias, políticas e tecnologias

Coord.: Jorge Luan Rodrigues Teixeira (UVA) e Natacha Simei Leal (Métis/Univasf)

Ementa: Em sua terceira edição, este grupo de trabalho busca reunir pesquisas sobre as caatingas brasileiras. A ecologia do semiárido, sobretudo a partir do fenômeno das secas, é tema recorrente na literatura e na formulação de políticas públicas. A porção semiárida do Brasil, as caatingas e as populações locais foram historicamente vistas como “problema” e retratadas usando imagens de escassez. Entretanto, se essa região foi tradicionalmente assim pensada, ela também foi palco de diferentes tecnologias e projetos de desenvolvimento que visavam, dentre outras coisas, contornar o problema das estiagens periódicas. Isso passou pela criação de órgãos específicos para lidar com a questão, cujas ações são indissociáveis da implementação de tecnologias como perfuração de poços, açudagem, construção de adutoras e, mais recentemente, a geração de energias renováveis etc. Concomitantemente, diferentes povos e comunidades que habitam o semiárido, assim como movimentos sociais e organizações da sociedade civil, vêm desenvolvendo suas próprias tecnologias para lidar com o ambiente. Estamos interessados em reunir trabalhos, de um lado, sobre as ações tecnocientíficas e estatais de combate à seca ou convivência com o semiárido, de outro, sobre formas de convivialidade e insurgência, produções culturais e práticas de conhecimento desenvolvidas por populações rurais e urbanas na sua relação com animais, plantas por elas cultivadas, águas, matas e com projetos de desenvolvimento econômico.

GT 057: Casas, cozinhas, quintais e suas agências em coletivos quilombolas, sertanejos, pescadores, indígenas e camponeses

Coord.: André Dumans Guedes (UFF), Ana Carneiro Cerqueira (Métis/UFSB), Yara de Cássia Alves (Métis/Uemg)

Ementa: Buscamos neste GT investigar os poderes e agências das casas, cozinhas e quintais situados em coletivos quilombolas, sertanejos, pescadores, camponeses, indígenas - em suma, entre diferentes povos da terra, da floresta e das águas. A partir da singularidade dos arranjos, modos e sistemas que os ativam como dispositivos ou técnicas, queremos pensar como tais entidades se articulam a territórios, e o que fazem: criando (filhos, bichos e plantas, misturas e mexidas, alianças e desafetos, corpos, novas possibilidades de vida); transformando (o cru e o cozido, substâncias, ingredientes e receitas, estórias e histórias, prosa e comida); ou reunindo (vizinhos na prosa cotidiana, conhecidos em torno do café, quem está junto na política ou numa mesma luta, os filhos quando de sua volta à terra natal). Interessa-nos examinar como tais poderes e agências atuam no “mundo”, e em relação às forças a ele associadas. Ao tomarmos “mundo” enquanto categoria nativa, queremos considerar como esses quintais, cozinhas e casas se constituem e operam sob uma perspectiva cosmopolítica, em relação com perigos, alteridades e potências de ordens diversas - por exemplo, aqueles relacionados à vizinhança de monoculturas, plantations, cativeiros e empreendimentos que encurralam povos e territórios; ou os que se vinculam às vicissitudes das famílias que têm seus membros esparramados mundo afora, ganhando a vida “no trecho” ou se aventurando em terras distantes e cidades grandes.

GT 115: Historicidade e transformação em perspectiva antropológica

Coord.: Júlia Vilaça Goyatá (Métis/UFMA), Rogério Brittes Wanderley Pires (UFMG), Rodrigo Charafeddine Bulamah (UERJ)

Ementa: Este GT se inspira em experiências etnográficas e historiográficas no Caribe e na importância que a noção de história adquire nos estudos sobre a região. Seja abordada como conceito local, em experiências antropológicas de campo, seja em estudos que lidam com a narrativa de transformações e acontecimentos políticos, econômicos e sociais, a história emerge como problema de pesquisa para muitos dos autores que refletiram sobre as especificidades dessa região. Como nos ensina Michel-Rolph Trouillot em "Silenciando o passado: poder e a produção da história" (1995), a história e de seus suportes, as narrativas, os documentos e os arquivos, devem ser investigados na medida em que refletem relações de poder, selecionando e ocultando fatos, cujos efeitos são sentidos de forma diversa na vida social. Pretendemos acolher trabalhos que se dediquem à investigação histórica, seja entendendo-a como problema para as pessoas com quem nos relacionamos em campo – o que podemos chamar de historicidade – seja interpelando-a através de um trabalho etnográfico com textos, expressões artísticas, arquivos, documentos históricos e indícios materiais. Nos interessa explorar a maneira como legados coloniais, processos de arruinamento, avanço de novas economias e transformações de diversas ordens são enfrentados por diferentes coletividades. Os trabalhos podem ser realizados em contextos etnográficos variados, mas pesquisas que interpelam a região caribenha serão particularmente bem-vindas.

GT 124: Liderança, diferenciação política e difrações de forças e afetos em povos e comunidades quilombolas, tradicionais e camponeses

Coord.: John Cunha Comerford (Museu Nacional - UFRJ), Ana Claudia Duarte Rocha Marques (Métis/USP), Dibe Ayoub (UFF)

Ementa: O grupo reunirá trabalhos etnográficos sobre povos camponeses, quilombolas e tradicionais que permitam discutir formas, estilos e modalidades de relação diversos, porém subsumidos, em muitos contextos, no termo "liderança". Esperamos problematizar essas relações e explorar temas como exemplaridade, respeito, autoridade, carisma, reputação, prestígio, admiração, imitação, e o saber-fazer coletividade; tratar das complexidades e dilemas da relação entre "liderança", "política" e "convívio"/"comunidade"; abordar a relação entre liderança e temas como sangue, família, parentesco, espiritualidade, escolarização, diferenciação, pertencimento e exterioridade. Buscamos trabalhos que abordem modalidades de disputa e conflito e dilemas éticos e políticos, pessoais e coletivos, na formação e estabilização do lugar de “liderança”. Também daremos atenção a pessoas/famílias de destaque como pontos de difração de forças e afetos que atravessam coletividades, em dinâmicas de formação, criação e diferenciação de comunidades, povos e famílias, seja no cotidiano, seja em eventos críticos e conflitivos - dentre os quais situações de ameaças e atentados enfrentados por lideranças, suas famílias e coletividades. Esperamos também trabalhos tratando de modos de subjetivação ético-política, seja individuais, seja coletivos, inclusive com abordagens biográficas ou autobiográficas. Estaremos atentos também às formas narrativas e seu lugar na conformação das figuras de liderança.

GT 139: O que é e o que será dos parentescos na e da América do Sul? Memória, origens e substâncias nas relações familiares e de parentesco

Coord.: Juliana Pereira Lima Caruso (Métis/USP), Aline Lopes Murillo (Unifesp - CNPq), Soledad Gesteira (UBA-CONICET)

Ementa: Buscando refletir através das lentes epistemológicas que vieram do norte global, respectivamente os conceitos de substâncias e de memória, que guiaram e que ainda conduzem os estudos de parentesco, aproveitamos esse GT para discutir quais são as singularidades e elaborações locais dessas noções no sul global, mais especificamente na América do Sul. Quais as maneiras e sentidos que substância, memoria, origens e identidade aparecem nas análises e nas falas sobre as relações familiares e de parentesco? Como temos apostado e transformado conceitos analíticos que nos permitam deslocar e distanciar dos estudos clássicos de parentesco ampliando possibilidades de compreensões sobre relações? Adoção, direito à identidade, busca de origens familiares, estudos de DNA e ancestralidade, relações conjugais, maternidades, famílias recompostas, sucessão e hereditariedade, cuidados e o próprio conceito de família são hoje objetos de análise e conexões com esses termos. Assim, quais direcionamentos estamos dando para esse debate e para os futuros dos estudos de parentesco na América do Sul? Essas são algumas das questões que permeiam este GT, que surge a partir das redes de pesquisa Anthera, REMA e MÉTIS, e tem como objetivo discutir as especificidades e contribuições dos estudos de família e parentesco na e da América do Sul.

GT 143: Os riscos da agulha: usos e efeitos das criações têxteis

Coord.: Fernanda Arêas Peixoto (Métis/USP), Thaís Fernanda Salves de Brito (UFRB)

Ementa: O GT visa se debruçar sobre diversas modalidades das artes da agulha (costura, tricô, crochê e artes têxteis em geral) a partir dos usos e efeitos contagiosos dessas criações. Associando duas acepções e formas de risco - a substantiva (traços e tramas das agulhas) e a verbal (arriscar-se) - trata-se de examinar o modo como essas criações se propagam, desenhando trajetos nos espaços das artes (museus, galerias) e da política (os ativismos têxteis), também em momentos rituais (por exemplo, na roupa de santo no candomblé), sem esquecer os espaços de cuidado (incluídos os de saúde), as associações e grupos comunitários, os círculos de mulheres. Colocando lado a lado exemplos e situações que não tendem a ser pensados juntos, o objetivo do GT é refletir sobre o que fazem tais criações consideradas “tradicionais” quando se arriscam em outras zonas; pretende assim contribuir para aproximar etnografias sobre diversas áreas tocadas pelas artes da agulha, e que expandem suas criações pela América Latina. Diante do conhecimento que já se acumula sobre o tema, talvez seja o momento de investirmos em certos caminhos reflexivos, sobretudo os que associam mais de perto os riscos e traços dos bordados – estilo, técnica e repertórios – com os seus efeitos e modos como se arriscam na vida pública, lançando questões que interpelam as relações entre criação, artes e política; criação e memória; criação, cura e cuidado; criações de si e criações de mundos.

GT 151: Poéticas da criação: pontos de contato entre arte, ciência e mitologia

Coord.: Vítor Queiroz (UFRGS), Rafael do Nascimento Cesar (Métis/USP), Marcella Barbosa Faria de Almeida Prado (Dactyl Foundation)

Ementa: Este Grupo de Trabalho privilegia contribuições dedicadas a explorar, em chave etnográfica, as contaminações criadoras entre arte, ciência e mitologia. Sem perder de vista as especificidades desses três modos de conhecimento quanto a seus procedimentos, objetivos ou resultados, o foco do GT é reunir propostas que os encarem como formas igualmente válidas de produção de artefatos e de modelos, na medida em que lidam com indícios concretos, afetos e efeitos do mundo sensível. Seria possível pensar células e poemas, biomas e cosmogonias, versos e veias como configurações do vivente (sistemas morfogênicos e metamórficos)? Como diferentes mitologias em constante mutação convertem-se em meios artístico-expressivos comprometidos com novas estratégias de sondagem e transformação da realidade? Quais os rendimentos de abordagens que vão além da criação como domínio exclusivo do humano e que possam questionar, a partir de trabalhos empíricos, dicotomias entre criação artística e tecnologia (como o caso das Inteligências Artificiais)? No intuito de dinamizar a discussão sobre esses modos de conhecimento, encorajamos fortemente a intersecção de ao menos 2 das 3 subáreas da antropologia geralmente dedicadas ao seu estudo (antropologia da ciência, estudos de mitologia e antropologia da arte).

Cartaz RAM