Realizo pesquisa etnográfica no Centro Histórico de São Luís (Maranhão, Brasil) sobre as chamadas visagens – nome popularmente concedido aos fantasmas, espíritos ou presenças sentidas pelas pessoas. Na região central de São Luís, há uma extensa variedade de relatos sobre as visagens, presenças percebidas de modo multissensorial - que podem assumir diferentes formas, incluindo a forma humana, a de animais, vultos e sombras. Tenho elaborado como as visagens constituem presenças indefinidas e dinâmicas, indissociáveis da materialidade dos casarões históricos. As visagens são criadas e criadoras: promovem performances narrativas, ampliam repertórios sensoriais, estabelecem relacionamentos com espaços físicos e temporais, pessoas e substâncias. Partindo dessa premissa, concentro-me nos efeitos que elas produzem, evidenciando o caráter desestabilizador dessas presenças, que interpelam o passado colonial escravista, presente ativo na ocupação do centro da cidade.