Este ensaio editorial propõe a fricção como chave analítica para ler o volume 34 da revista Cadernos de Campo e, ao mesmo tempo, para pensar a antropologia contemporânea. Em vez de identificar uma unidade temática ou metodológica entre artigos, dossiês, resenhas e tradução, os autores destacam uma sensibilidade comum voltada às zonas de atrito: encontros assimétricos, categorias em falha, materialidades resistentes, temporalidades desencontradas e disputas epistemológicas e políticas. Ao percorrer contribuições que tratam de catástrofes ambientais, mobilidades desiguais, antropologia forense, mundos indígenas, quilombolas e afro-diaspóricos, arte e ciência, educação, gênero, colonialismo e acervos em disputa, o ensaio mostra como epistemologias em fricção recusam estabilizações prematuras e sustentam a convivência tensa entre mundos heterogêneos. O volume é, assim, apresentado como expressão de uma antropologia implicada, crítica e autocrítica, que toma os atritos do mundo como lugares privilegiados de observação, responsabilidade e invenção de novas relações.
Fricções, antropologias
Lucas de Mendonça Marques; Jeferson Bastos de Souza; João Victtor Gomes Varjão
Edição, volume, número
v. 34, n. 1
Ano
2025
Periódico
Cadernos de Campo
Páginas
p. 1-20
ISSN/ISBN
0104-5679
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