Resumo: este artigo desenvolve o conceito de in:visibilidade para explicar a copresença e a implicação mútua do visível e do invisível nas infraestruturas de telecomunicações móveis, com foco nas estruturas situadas de atenção, ocultação e revelação em que estão inseridas. Com base em debates nos estudos de infraestrutura e cultura visual, sugerimos que visibilidade e invisibilidade não atuam como opostos lógicos, mas interagem na prática por meio da tensão que as separa, deslizando e expressando-se mutuamente ao longo de um processo generativo. A partir de quatro movimentos específicos de in:visibilização relacionados a antenas de telefonia móvel – camuflagem, iconoclastia, mapeamento colaborativo e desvio pictórico – investigamos como cada ato de tornar visível gera novas zonas de invisibilidade, e vice-versa. Nessas situações, mostramos que a invisibilidade infraestrutural não constitui um atributo estável, mas emerge como um limiar fluido produzido pela interação situada de arranjos perceptivos, expositivos e sociotécnicos, tomando forma ao longo do tempo por meio de processos de emergência instanciados na prática. Metodologicamente, mostramos como a própria observação executa e modula essas dinâmicas: em vez de produzir revelações claras, a inversão infraestrutural abre um campo de turbulência perceptual que implica o analista nos movimentos recursivos do invisível. Nesse sentido, práticas como mapeamento, caminhada de dados e experimentação imagética não apenas documentam a invisibilidade, mas participam de sua produção e transformação. A invisibilidade emerge, portanto, como um operador analítico para estudar como as infraestruturas contemporâneas se tornam perceptíveis, contestáveis e cognoscíveis.